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  • Vinicius Monteiro

Resenha: The Outsiders - Vidas sem Rumo


The Outsiders Vidas sem Rumo Resenha
'The Outsiders' é corajoso, honesto e autêntico, uma obra que todo adolescente deveria ler.

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

Na pequena cidade de Tulsa, em Oklahoma, a rivalidade entre os dois grupos cresce a cada dia. De um lado estão os Greasers, com suas jaquetas de couro, o cabelo com brilhantina, os canivetes em punho e o cotidiano marcado pela falta de perspectiva e pelas brigas em terrenos baldios. Já os Socs moram no lado rico da cidade, frequentam os melhores lugares e conseguem se safar das piores situações, inclusive quando decidem espancar os Greasers.

S. E. Hinton disse que escreveu 'The Outsiders' porque queria que algo realista fosse escrito sobre adolescentes. Eu amo essa visão da autora, as obras vontade para o público adolescente costumam ser tão irreais, e quando me deparo com uma leitura como 'The Outsiders', me faz lembrar da importância do leitor buscar a literatura não somente para fugir da realidade, mas para conhecer outras iguais às suas.

'The Outsiders' é um clássico da ficção juvenil que revolucionou o gênero ao apresentar personagens adolescentes que eram o oposto de tudo que um adolescente, para os padrões adultos, deveria ter sido. Apesar de ter sido publicado em 1967 e das enormes mudanças na sociedade e na tecnologia desde então, a obra continua a ressoar entre os leitores jovens adultos hoje.

Este livro levanta muitos temas que incluem honra familiar, violência, sociedade e classe, uma comunidade dividida, educação, amor, individualidade, lealdade, isolamento, auto-sacrifício, aparência e escolhas.


“Eu minto para mim mesma o tempo todo.

Mas eu nunca acredito em mim.”

O romance usa os Greasers, bem como os rivais e ricos Socs para desafiar os estereótipos sobre classe e o que significa ser um fora-da-lei. Os leitores jovens adultos podem se relacionar com aspectos dos personagens de ambos os lados da divisão de classe, fazendo-os perceber que afinal não são tão diferentes. A briga entre as gangues só reforça a ideia de que as aparências enganam.

A obra é narrada a partir da perspectiva de Ponyboy de quatorze anos, um 'engraxate' que poderia facilmente ser julgado como um delinquente por causa de suas roupas e cabelos, mas que na verdade tira boas notas na escola e adora livros e filmes. Apesar de vir de um 'lar desfeito', seus pais terem morrido em um acidente de carro quando ele era jovem, ele não bebe, não é naturalmente violento e fica envergonhado quando seu amigo xinga.

Todos os personagens do livro são os elementos que eu mais amo na obra. Por 'The Outsiders' se tratar de algo real e do cotidiano (dentro do cenário cultural e social da época da autora), isso torna os personagens e o romance como um todo mais autêntico, fazendo com que o leitor desafie quaisquer ideias pré-concebidas que eles tenham sobre o que é uma pessoa 'má'.


“Parecia engraçado para mim que o pôr do sol que ela viu do seu pátio

e o que eu vi dos degraus dos fundos fosse o mesmo.

Talvez os dois mundos diferentes em que vivíamos não fossem tão diferentes.

Vimos o mesmo pôr do sol.”

O romance também reflete os medos imediatos e de longo prazo que os adolescentes enfrentam através dos pensamentos de Ponyboy, o que novamente torna ele e a história em si fáceis de se relacionar. Também vemos através de Ponyboy a necessidade sentida pela maioria dos adolescentes de se encaixar e fazer parte de um grupo, mas também a necessidade de ser um indivíduo e a luta para descobrir quem você é dentro das restrições impostas pela sociedade, amigos, colegas e família.

Outro ponto que me chamou muito atenção no livro, foi o afeto entre os garotos. Eu achei uma escolha muito sincera e corajosa da S. E. Hinton traz muito carinho para relação entre os personagens masculinos. Para época do livro isso poderia ter soado muito gay, ou até mesmo uma posição positiva ao homossexualismo na visão da autora, mas quem leu o livro sabe que não é sobre nada disso. Os personagens e suas relações nascem de emoções sinceras e naturais de pessoas que se amam e querem se cuidar, eu achei isso muito forte e bonito na obra.

Uma "falha" do livro é que as soluções para os problemas do enredo pareciam simplistas e um pouco irreais, mas nada que o botão da descrença não resolva o problema. Para defender a "falha" e ser justo, a autora S. E. Hinton escreveu este livro quando estava no ensino médio e essa perspectiva, sem dúvida, contribuiu para isso.


“Eles cresceram à margem da sociedade.

Eles não estavam procurando por uma briga.

Eles estavam procurando pertencer.”

O livro é escrito de uma forma que prende a atenção do leitor e cria suspense à medida que o leitor se aprofunda no livro. 'The Outsiders' faz o leitor se olhar para dentro e refletir, a obra pode ajudar os adolescentes a compreenderem a si mesmos e a sociedade em que vivem. Cinquenta anos depois, o livro vendeu mais de 15 milhões de cópias, tornou-se uma presença constante nas listas de leitura do ensino médio, inspirou um filme de Francis Ford Coppola com o mesmo nome e ajudou a moldar todo um gênero literário comercializado para jovens adultos.

'The Outsiders' é corajoso, honesto e autêntico, um romance que eu sinto que todo adolescente precisa ler. Espero que seu sucesso inspire outros adolescentes a procurar histórias que pareçam reais para eles e se eles não conseguirem encontrar essas histórias, talvez escrevam suas próprias.

Nota 9

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