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  • Vinicius Monteiro

Resenha: Persuasão


Resenha Persuasão
'Persuasão' tem todas as virtudes usuais de Jane Austen.

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

Anne Elliott é uma jovem de família renomada que se apaixona por Frederick Wentworth, um humilde funcionário da Marinha. Por conta da posição social do rapaz, Anne é convencida a romper o relacionamento. Após alguns anos, ele retorna a cidade de Bath, agora como um capitão que alcançou respeito e prestígio. A moça percebe que nunca deixou de amar Frederick, porém, agora terá que disputá-lo com Louise Musgrove, sua vizinha e amiga.

'Persuasão' foi o último romance da autora Jane Austen, ​​a obra foi publicada pela primeira vez em 1818, um ano após a morte da autora aos 41 anos. Muitos fãs de Austen citam 'Persuasão' como seu favorito. Eu tenho que confessar que não morri de amores por essa obra, 'Orgulho e Preconceito' me deixou mais fascinado, mas esse livro está longe de ser ruim, a história só me deixou um pouco surpreso.

Em contraste com 'Orgulho e Preconceito', 'Persuasão' é um romance mais tranquilo, ambientado no outono de Bath, Inglaterra. A personagem da vez é Anne, ela é mais reservada, preferindo canalizar muitos de seus pensamentos e emoções para dentro, mas é mais sensata em comparação com seus colegas.

Ela é uma observadora silenciosa à margem, ajudando apenas quando necessário. Ela aceita sem má vontade sua vida como uma mulher solteira de vinte e sete anos, uma posição infeliz na época de Jane Austen. Eu gostei muito dessa personagem, apesar de eu não ser mulher, ser mais reservado e canalizar pensamentos e emoções interiormente é são características muito marcantes minhas.

Jane Austen é sempre espirituosa, sempre expressando em seu estilo único e floreado, sentimentos que seriam rudes ou mordazes se expressos de forma mais direta, e permitindo que seus leitores se divertissem com as coisas que seus personagens pensam, mas nunca diriam.

O humor em 'Persuasão' é um pouco mais fino. As fraquezas da família de Anne são um tanto divertidas de uma forma irônica, e há outros momentos citados, mas é basicamente uma história sobre uma mulher sensata e de bom coração em perigo iminente de se casar adequadamente.

Assim como em seus outros romances, a autora se concentra na classe social e no casamento, mas o faz com humor e compaixão por seus personagens. A escrita de Austen aqui me pareceu mais emocional e sincera para mim do que em seus outros romances.

'Persuasão' tem uma boa visão da vida em 1800, pois mostra como as famílias costumavam usar os mesmos nomes, inclusive isso fica até um pouco confuso no livro, e Jane Austen projeta claramente uma imagem da época em que ela vivia. 'Persuasão' se move entre o campo e a cidade de Bath, dando uma visão ampla da sociedade e da vida do século XIX.

Os temas do romance são a persuasão - quando é bom se deixar persuadir pelos outros, e quando não é - e a fidelidade, representada pelo amor inabalável que Anne e o capitão Wentworth nutrem um pelo outro, apesar de uma ausência de sete anos. Os "vilões", é claro, nunca são verdadeiramente maus, eles só querem se casar por outros motivos que não a devoção altruísta.

Dado o triste destino de Austen como uma mulher solteira que morreu aos 41 anos, não se pode deixar de suspeitar de uma certa quantidade de auto-identificação com essa heroína mais do que com qualquer outra. 'Persuasão' tem todas as virtudes usuais de Austen - prosa fina, espiritualidade e crítica social afiada - e uma variedade de personagens grandes o suficiente para formar um elenco interessante.

Nota 9

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