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  • Vinicius Monteiro

Resenha: Drácula

Atualizado: 23 de jun. de 2023


Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

Baseado no folclore da Transilvânia e num personagem real (o rei Vlad, o Empalador), redigiu um relato que tem assombrado gerações consecutivas de leitores, transformando-se num mito adaptado para o cinema, quadrinhos e TV, talvez o mais significativo destes últimos dois séculos. Na história, um jovem inglês é mantido em cativeiro, à espera de um destino terrível. Longe dele, sua noiva bela e jovem é atacada por uma doença misteriosa que parece extrair o sangue de suas veias. Por trás de tudo, a força sinistra que ameaça suas vidas: Conde Drácula, o vampiro vindo do fundo dos séculos.

'Drácula' não é um livro, Drácula é um nome, um estereótipo amplo de um personagem que engloba muitos componentes e interpretações diferentes do nosso Conde favorito. O romance é uma entidade fascinante, principalmente por causa das diferenças da percepção moderna dele.

O Drácula de Bram Stoker não é o vampiro que você poderia esperar. Filmes e outras interpretações da cultura pop geralmente erram o alvo (às vezes propositalmente) quando se trata do personagem central. O Drácula original não é um herói romântico. Ele é um monstro, impulsionado por sua fome de sangue e seu desejo descontrolado de tomar o que quer. Um problema que surge para qualquer leitor moderno do livro de Bram Stoker, é que temos muita bagagem da cultura pop e hollywoodiana embutida em nossa visão, para usufruir por completo 'Drácula'.

As reviravoltas na trama para os leitores modernos são facilmente previsíveis, o que diminui um pouco o impacto de 'Drácula' (lendo o livro pela primeira vez hoje, não me senti encantado tanto assim pela obra), mas livro também apresenta muitos detalhes e pontos da trama desconhecidos para alguém que conhece Drácula apenas por sua fama geral da cultura pop, permitindo que o leitor tenha o melhor dos dois mundos.

Há coisas que surpreenderão os leitores contemporâneos quando pegarem este romance clássico para ler. Eu fiquei impressionado do quão pouco horror realmente existe no livro, há alguns momentos de cenas de terror. A minha favorita é a viagem marítima que Drácula faz para Londres, durante essa viagem ele mata os membros da tripulação um a um.

O famoso vampiro aparece pouco na história, fiquei chocado com isso. O livro é chamado de 'Drácula' o infame conde faz apenas algumas aparições, ele é sim o foco de todas as discussões dos personagens principais, ele não é nada mais do que uma sombra escura e assustadora à espreita no fundo. Ele é o mistério a ser resolvido, e então se torna o foco da busca dos heróis por justiça.

Os amigos da primeira vítima de Drácula passam o livro em busca de vingança por seu amigo falecido. Cada membro da equipe vê seu trabalho como algo espiritual, parte de uma grande batalha entre o bem e o mal, e isso me chamou a atenção, pois 'Drácula' ás vezes soa bem religioso.

Estruturalmente, é uma obra epistolar, isto é, contado como uma série de entradas de diário e cartas. Isso ajuda a dar uma visão interessante em primeira mão de todos os personagens enquanto eles descobrem e experimentam o horror das ações do Conde, mas honestamente, 'Drácula' é cheio de monólogos longos e arbitrários sobre tópicos com os quais aparentemente não tinham correlação com o próprio romance. Isso não apenas me incomodou, mas também pareceu aumentar consideravelmente a extensão da narrativa como um todo.

Toda a primeira parte do livro evoca o pavor, com Jonathan lentamente percebendo que seu hospedeiro é algo desumano e totalmente maligno. Está cheio de paranoia e um sentimento de incognoscível. Após esta seção inicial, que leva cerca de sessenta páginas, voltamos para Whitby na Inglaterra e uma correspondência entre Lucy Westenra e Mina Murray, nossas duas heroínas. É aqui que o livro começa a declinar um pouco com as longas, ainda que belas, passagens que tratam da vida cotidiana vitoriana.

A escolha de manter o personagem principal no escuro e no mistério não me incomodou tanto, queria sim que história fosse mais focada nele, mas até aqui ok, porém 'Drácula' tem um conjunto de personagens unidimensionais, eles são todos muito bem retratados, cada um com uma personalidade, peculiaridades e papel a desempenhar na história, mas quase nenhum deles, são de alguma forma, interessantes.

Embora Stoker não tenha inventado o vampiro, a influência do romance na popularidade do "mundo vampiresco" foi singularmente responsável por muitas interpretações teatrais e cinematográficas ao longo dos séculos. 'Drácula' de Bram Stoker pode não ser o livro que você acredita que seja, no geral eu fiquei decepcionado com a obra, eu queria ação, horror e histórias góticas, mas tudo o que consegui foi uma combinação chata de escrita e enredo.

O livro vale a pena ser lido por ser um clássico que originou uma das marcas mais famosas da cultura pop, e obviamente toda influência da releitura da obra e personagem acabou influenciado a leitura (não tem como), mas confesso que eu fiquei bem aberto para a obra. E como Harker parado na entrada do castelo no início, você tem que decidir por si mesmo se deseja entrar ou não. Prossiga!

Nota 7


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