google.com, pub-4979583935785984, DIRECT, f08c47fec0942fa0
top of page
  • Vinicius Monteiro

Quincas Borba Resenha

Atualizado: 20 de fev.

Quincas Borba Resenha

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

Sinopse: O romance a ascensão social de Rubião que, após receber toda a herança do filósofo louco Quincas Borba. Em uma viagem de trem rumo à capital, Rubião conhece o casal Sofia e Cristiano Palha, qual percebe estar diante de um ingênuo - e agora rico - provinciano: impressão que também é compartilhada por todos os que estão ao seu redor.

Resenha: Escrito em formato de folhetim e publicado pela primeira vez em livro em 1891, 'Quincas Borba' faz parte do trio de obras mais famosa do Machado de Assis que apresenta um intertexto direto com o 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', uma vez que o personagem Quincas Borba teve uma breve aparição no Memórias e que o personagem Brás Cubas também tem participação no livro intitulado Quincas Borba.

'Quincas Borba' é um romance em que temos a impressão de que o autor nos contará a história de um personagem filósofo que dá nome ao livro, mas Quincas Borba morre já logo no começo na trama, deixando todos os seus bens ao amigo Rubião, apenas com uma restrição: que cuidasse de seu cachorro de mesmo nome.

A quantidade de personagens com personalidades diferentes surpreende em 'Quincas Borba'; são pobres, ricos, esnobes, oportunistas, entre outros. Há também uma quantidade de outras referências literárias de livros e autores, como: a Bíblia; Hamlet, de Shakespeare; e o Corvo, de Edgar Allan Poe.

O século XIX foi a era da fé no progresso da técnica e da ciência. Machado de Assis cria o personagem de Quincas Borba para representar esta tendência otimista de sua época com uma forte influência do positivismo de Comte.

Sabemos que o autor brasileiro era bastante pessimista em relação à natureza humana, em qualquer de suas obras isso é uma característica mais que notário é óbvia e aqui, ele foi muito influenciado pela filosofia de Arthur Schopenhauer. Em 'Quincas Borba' o pessimismo se aplica às filosofias que pretendem nos convencer de que estamos rumo a um progresso e que tudo tem sua razão de ser.

Publicado em capítulos curtos, a história é contada por um narrador onisciente que conversa com o leitor e que deixa em suspenso os finais de cada capítulo, ele cria a sensação de que está apenas contando como a história é, sem emitir juízo de valores. As convicções que movem os personagens são o que fica aberto a interpretações do leitor. A obra fica muito interessante nesse aspecto, uma vez que analisa as relações humanas de forma bastante crítica.

'Quincas Borba' representa uma parcela ínfima do que seria a sociedade carioca do século XIX. Às vezes mais sutil, às vezes mais direto, Machado de Assis toca em temas do microcosmo e do macrocosmo brasileiro e como eles se relacionam, além disso, há uma crítica ferrenha a outros aspectos da sociedade: racismo, corrupção, papel da mulher, o casamento como sustentação para o patriarcado, o ostentar a riqueza sem ter um centavo, a caridade como caminho de ser bem-visto pela elite, o envelhecer.

O livro tem um final extremamente triste e apesar do alerta e ironia que Machado de Assis faz aos sistemas otimistas de seu tempo, não nos indica algum caminho de salvação. 'Quincas Borba' também traz menos profundidade se comparado com outras obras do autor, não escrevo isso de maneira negativa é somente uma comparação.

Machado de Assis é um autor para ser lido e relido diversas vezes. E isso não apenas porque suas histórias são atemporais e nunca ficam cansativas, mas porque ele possui o poder de nos fazer relacionar fatos completamente distantes às nossas próprias vivências.


Nota 9


bottom of page