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  • Vinicius Monteiro

Príncipe Caspian Resenha

Atualizado: 24 de abr.

Príncipe Caspian Resenha

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

Sinopse: Tempos difíceis abateram-se sobre a terra encantada de Nárnia. Os dias de paz e liberdade, em que os animais, anões, árvores e flores viviam em absoluta paz e harmonia, estavam terminados. O Príncipe Caspian, herdeiro legítimo do trono, decide trazer de volta o glorioso passado de Nárnia.

Resenha: Publicado em 1951, trata-se do segundo volume da série 'As crônicas de Nárnia' e a quarta crônica, se considerarmos na ordem cronológica dos acontecimentos. Escrita por C.S. Lewis, 'Príncipe Caspian' traz de volta o quarteto que eu carrego no coração para sempre e mais uma trama cheia de surpresas desse universo que eu amo visitar. O livro mais uma vez nos mostra o protagonismo das crianças na luta contra o mal e restabelecimento da ordem e da paz em Nárnia.

C.S. Lewis sabe explorar bem esse mundo de fantasia, a cada volume eu percebo o quanto o autor é original, trazendo histórias nada previsíveis ou clichês, há sempre uma novidade em cada obra, que sempre traz uma certa evolução na série. Em 'Príncipe Caspian' temos novos personagens e mais fatos históricos sobre Nárnia.

Em 'O Cavalo e seu Menino', Nárnia foi descrita como um lugar maravilhoso, onde a liberdade prevalecia, os animais e a natureza convivem em harmonia e tudo era pacifico, aqui em 'Príncipe Caspian' a trama muda de contexto e torna-se uma antítese ao livro anterior.

Quando os irmãos retornam para Nárnia eles se deparam com uma grande transformação: o universo Narniano, já não é mais o mesmo. Os animais não falam, a maior parte dos habitantes originais de Nárnia estavam extintos e Cair Paravel está em ruínas e quase irreconhecível. Agora no ápice de sua degradação, o país está prestes a iniciar uma guerra civil desencadeada por um governo ilegítimo.

O livro trouxe novos personagens que me conquistaram, a história apresenta um rato cheio de coragem chamado Ripchip. O príncipe Caspian tem uma alma justa e corajosa, um personagem pela qual você torce muito para que vença.

O enredo do livro segue similaridades com o de 'O Leão a Feiticeira e o Guarda Roupa', em que crianças são protagonistas que para cumprir a missão de restabelecer a paz em Nárnia, enfrentam batalhas e passam por provações em prol do seu objetivo.

'Príncipe Caspian' é uma das obras mais lentas até aqui, diferente das obras anteriores, esse coloca a ação de lado e escolhe aprofundar melhor os personagens e contextualizar os problemas políticos desse universo mágico. O autor mantém a linguagem no tom certo para o público infantil, mesmo assim ele consegue explorar problemas intrigantes referentes a gestão do falso rei, Mirax.

O grande paralelo bíblico aqui a ser feito vem a ser no que diz respeito à retomada da fé. Rei Miraz conduz ao extermínio físico e espiritual da crença em Aslam e na Nárnia da Era de Ouro, cujo caminho inverso é feito por Príncipe Caspian.

Há também uma alusão invertida à Alegoria da Caverna, de Platão, quando os piratas entram na caverna e descobrem o fantástico mundo de Nárnia. Seria exatamente o caminho oposto ao que o filósofo propôs, isto é, abandonar a fantasia e buscar a realidade. Outra dicotomia entre fantasia e a realidade aparece quando Pedro e Susana são avisados por Aslam de que nunca mais retornarão a Nárnia, pois já passaram da idade para isto, assinalando assim que a fantasia seria essencial durante a infância, mas a realidade é o que mais importa para a vida adulta.

Nada é perfeito, o livro tem sérios problemas de ritmo, você em um momento está interessado e focado em uma perspectiva, e então é puxado para outra. 'Príncipe Caspian' é uma obra com peso emocional e político mais presente do que no primeiro livro, tendo alguns trechos bem pesados, mas que não extrapolam limites do seu público majoritariamente infantil.


Nota: 8


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