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  • Vinicius Monteiro

Persépolis Crítica

Atualizado: há 3 horas

Persépolis Crítica

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

Sinopse: Marjane Satrapi é uma garota iraniana de 8 anos, que sonha em se tornar uma profetisa para poder salvar o mundo. Querida pelos pais e adorada pela avó, Marjane acompanha os acontecimentos que levam à queda do xá em seu país, juntamente com seu regime brutal. Tem início a nova República Islâmica, que controla como as pessoas devem se vestir e agir. Isto faz com que Marjane seja obrigada a usar véu, o que a incentiva a se tornar uma revolucionária.

Crítica: Um livro de memórias em forma de animação, 'Persépolis' é uma adaptação da série em quadrinhos da autora Marjane Satrapi, um aclamado romance autobiográfico. O filme é uma lembrança contada não com raiva, mas com decepção.

O filme se desenrola como um flashback, a cor tranquila do presente incerto dando lugar à ousadia gráfica da memória em preto e branco. Os personagens agradavelmente simples e desenhados à mão e os fundos planos, muitas vezes com padrões abstratos, mostram a influência de tudo, de Charles Schulz ao expressionismo alemão, à pintura em miniatura persa e ao teatro de sombras.

A escolha estilística do filme não só carrega o estilo dos quadrinhos, mas entra em contraste com as animações cheias de cores e de ritmo frenético e alegre que temos o costume de assistir. Decididamente feito em 2-D, a animação traz influências do expressionismo alemão e do neorrealismo italiano e não das possibilidades da modernidade digital. Essa simplicidade também é a força do filme.

Marjane Satrapi e o co-diretor/co-roteirista Vincent Paronnaud adotam o estilo de quadrinhos de seus livros e encontram uma riqueza evocativa na forma austera e aparentemente simples. Cada linha desenhada à mão tem caráter e personalidade, e vôos criativos de fantasia animada são usados ​​com moderação e sutileza.


O narrador compartilha a experiência da maioridade no Irã após a revolução islâmica. Ao mesmo tempo, ela nos conduz através de sua perspectiva de desenvolvimento à medida que cresce da pequena Marji, para a jovem Marjane. A história do amadurecimento de Marjane tem a franqueza emocional. Sua história também é um conto profundamente comovente sobre o poder da resiliência e um senso de humor incansável nas piores situações.

Satrapi confessa e confronta seus erros, seus momentos de mau julgamento e imaturidade. Ela faz isso com tanta honestidade e franqueza, é possível que ela seja uma das personagens mais complexas e totalmente realizadas que você verá em qualquer filme este ano.

O filme sabe equilibrar o seu tom e utilizar de diversos sentimentos para contar sua narrativa. Ao usar o hino 'Eye of the Tiger' de Survivor para acompanhar as cenas da busca de uma jovem pela liberdade de um regime opressivo, ela está zombando do cinema estereotipado e ainda abraçando a emoção honesta.

Há uma qualidade tanto sardônica quanto jubilosa nessas cenas que transmitem perfeitamente a complexa inteligência da narrativa de Satrapi. 'Persépolis' tem um tom agradavelmente zombeteiro, talvez intensificado por sua sensação de ser uma outsider, mesmo quando expõe os ultrajes do regime político.

Embora não seja visualmente explícito, 'Persépolis' é um olhar intransigente sobre a cultura do Irã vista por uma criança observadora e de mente aberta, uma franca exploração da adolescência e identidade em uma cultura de intolerância. Com sua poderosa fusão do caprichoso, satírico e emocional, 'Persépolis' pode muito bem ser o filme mais original, inventivo e comovente do mundo cinematográfico.


Nota 9



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