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  • Vinicius Monteiro

Modernidade VS Fundamentalismo - “Persépolis” Análise

Modernidade VS Fundamentalismo Persépolis Análise

"Persépolis" é uma das minhas HQs preferidas, pois ela mostra uma realidade muito distante de muitos. A autora Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos.

 

A obra não só apresenta uma mulher incrível com todos os seus acertos e erros, mas mostra uma realidade que poucos conhecem e entendem. Há muita coisa legal para falar sobre "Persépolis", mas uma das coisas que me chamou atenção e me fez refletir sobre, foi a dualidade entre a modernidade e o fundamentalismo. É sobre esse pensamento que eu quero conversar com vocês.

 

Esse texto só expõe um pensamento e uma reflexão sobre a leitura que eu tive, por isso, eu estou aberto para conversar nos comentários, eu quero pensar junto com vocês!

 

O fundamentalismo se caracteriza pela aplicação de uma interpretação literal estrita às escrituras, dogmas ou ideologias, juntamente com uma forte crença na importância de distinguir grupos.

 

É comum na mídia o fundamentalismo ser associado à religião, mas há outras variações que podem ser observadas como “fundamentalismo político”, “fundamentalismo econômico” etc. O fundamentalismo é sempre um assunto polêmico, pois denota um sentido negativo, indicando rigidez e inflexibilidade de opinião e compreensão.

 

Em muitas das vezes, também podemos perceber através na mídia, que o fundamentalismo é muito associado a atos violentos, como o terrorismo e a regimes políticos teocráticos, podendo assim, ser confundido como fanatismo e extremismo.

 

Na HQ "Persépolis" podemos ver muito bem a dualidade entre o modernismo e o fundamentalismo. A Revolução Iraniana, ocorrida em 1979, transformou o Irã, até então uma monarquia autocrática pró-ocidente comandada pelo Xá Mohammad Reza Pahlevi, em uma república islâmica teocrática sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini.

 

Pode-se dizer que, na época, o regime dos xás tinha perdido o apoio da população. Isso porque havia muita influência de países ocidentais como Reino Unido e Estados Unidos, que faziam com que a sua cultura invadisse o Irã. Além disso, o regime era rígido demais contra os opositores, tudo era censurado. As punições eram torturas, prisões e assassinatos a todos os que não concordavam com o xá. Do ponto de vista econômico, a inflação não parava de subir, aumentando a pobreza e diminuindo a confiança do povo nos projetos do xá Reza Pahlevi.

 

A incapacidade dos revolucionários marxistas e socialistas de ganhar poder político após a Revolução de 1979 causa grande tensão para famílias como os Satrapis. Essas famílias se veem como pessoas modernas. Eles mantêm crenças políticas e sociais ocidentais. Isso não é visto apenas nos tipos de coisas materiais ocidentais que Marjane e sua família procuram - coisas como pôsteres de rock, jaquetas jeans, hambúrgueres e Cadillacs. Também é visto nos valores sociais que eles possuem - uma crença nos direitos das mulheres, educação liberal e direitos humanos.

 

O fundamentalismo religioso e ideológico é retratado como um obstáculo ao desenvolvimento do Irã. Esse fundamentalismo reprime seu povo. Não só tira as coisas materiais que as pessoas desfrutam, mas também tira sua identidade e dignidade. Segundo a própria autora na introdução de sua HQ, um dos principais motivos para escrever "Persépolis" é mostrar a perspectiva de um Irã moderno perseguido e punido por alguns "extremistas".

 

A família de Marjane Satrapi, por exemplo, lutava por um regime comunista. As conversas com sua avó sobre o proletariado, a luta de classes e sua admiração pelo combatente Che Guevara externalizam, ao mesmo tempo, a busca por uma outra sociedade e a falta de espaço para expressar o pensamento.

 

É muito forte acompanhar a história de Marjane Satrapi, pois a guerra entre modernidade e fundamentalismo trouxe muito conflito interno, é até possível notar um certo endurecimento de seus sentimentos em relação às situações em que vivia. Ao longo da HQ, sua rebeldia revolucionária enfrentava poderes que não podia combater, com isso, sua família convenceu-a de ir para outro país experimentar as liberdades que procurava. 

 

Se você nunca leu "Persépolis" eu recomendo demais essa obra. Marjane Satrapi é uma mulher que vale a pena conhecer e sua história mostra uma realidade que abrirá a sua mente e sua visão sobre o mundo que há lá fora. Fiquem livres para comentar, eu quero saber a opinião de vocês sobre a obra também.


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