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  • Vinicius Monteiro

O Pequeno Príncipe (1974) Crítica

Atualizado: 16 de mai.

O Pequeno Príncipe (1974) Crítica

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

 

Sinopse: A clássica história de um piloto perdido no deserto e um menino vindo de um lugar distante. Juntos, eles compartilham diversas experiências, como aprender com uma raposa, observar a dança de uma serpente e a cuidar de uma única rosa em um mundo de cabeça para baixo.

 

Crítica: Ao término de "O Pequeno Príncipe" (1974), eu fiquei um pouco incrédulo de ter acabado de ver um musical dirigido pelo mesmo cineasta de "Cantando na Chuva". Falta a inteligência, a coesão e a forma rigorosa na concepção do filme que em outros tempos estiveram na lista de obrigatoriedade de Stanley Donen.

 

Penso que o principal inimigo do filme é a perda total de ambientação e relação ao seu momento cinematográfico. Para um diretor arguto como Stanley Donen, filmar um musical em meados dos anos 1970 deveria ter sido um desafio a ser levado como uma brincadeira, misturando elementos da era clássica com as mudanças que o atingiram a partir dos anos 1960.

 

Esta adaptação da obra de Antoine de Saint-Exupéry não é uma homenagem aos grandes musicais dos anos 1950 e tampouco se enquadra na atmosfera dos musicais alternativos dos anos 1970. Dessa forma, o longa fica perdido entre um passado glorioso e um presente perdido. Há uma tentativa de inclusão realista, mas ela se dissipa quando ingredientes fantásticos e inteiramente desconexos entre si surgem na tela.

 

Nesse mesmo padrão, fica difícil não apontar a representação da Rosa (Donna McKechnie) como algo que merecia melhor cuidado, e dos planetas visitados pelo príncipe, que quase nada carregam do livro. O problema não é a fidelidade ou a falta dela, isso não importa na adaptação cinematográfica. O que importa é a captura ou não da essência do original. Algo que passa à margem deste filme.

 

O roteiro de Alan Jay Lerner também não ajuda muito, especialmente porque cria pontes muito fracas entre os diálogos do piloto e do príncipe, e as canções entoadas ao longo do filme. Todas as canções parecem estranhas em "O Pequeno Príncipe".

 

Bob Fosse está ótimo como a Serpente, com uma coreografia meio cômica e muito boa, mas que é longa demais e editada de uma forma irresponsável e Gene Wilder, cujo papel da raposa é salvo pela mensagem atrelada ao personagem, exceto uns poucos momentos, não toca o espectador como deveria.

 

As cenas entre o Piloto e o Príncipe certamente brincam com um humor irônico e um absurdo habilidoso, mas depois a trilha sonora continua voltando a arrastar os procedimentos para uma paralisação.

 

O trabalho de pintura matte para compor alguns cenários (as cenas filmadas em locação na Tunísia não cobrem os efeitos ruins), o uso de lentes convexas no formato de íris para representar os planetas visitados pelo protagonista (recurso que é parcialmente interessante, mas deslocado no todo) e a fotografia bipolar de Christopher Challis, ajudam a tornar o filme uma salada estilística no sentido mais negativo da palavra.

 

O livro ligava seus desenhos de linhas simples ao seu texto de uma forma que evitava tanto a fofura quanto o sentimentalismo. A cada mudança de cena, "O Pequeno Príncipe" quebra intrinsecamente o clima delicado da fábula alegórica de Saint-Exupéry sobre o encontro de um piloto acidentado com um ser de outro planeta.

 

"O Pequeno Príncipe" de Stanley Donen poderia ter sido um grande filme, mas não é. No entanto, o longa apresenta alguns poucos momentos de beleza e magia que acabam valendo a sessão, seja como uma experiência do presente, seja como memória de um tempo em que tenha sido visto com olhos inocentes.

 

Nota: 5




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