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  • Vinicius Monteiro

O Circo Crítica

O Circo Crítica

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

 

Sinopse: Desta vez, o vagabundo Carlitos é confundido com um ladrão e vai se refugiar num circo, onde, de uma hora para outra, se transforma na atração principal e revolta-se contra o tirânico proprietário do circo.

 

Crítica: Um batedor de carteiras está agindo em meio a multidão. Para evitar que seja pego, ele coloca uma carteira roubada no bolso do vagabundo, sem que ele perceba. Quando a polícia se afasta, o batedor volta para recuperar o dinheiro perdido. O vagabundo foge, tanto do batedor quanto da polícia, e acaba entrando sem querer no picadeiro de um circo local. Suas trapalhadas fazem enorme sucesso junto ao público, sem que ele perceba. O dono do circo resolveu então contratá-lo e fazer dele sua atração principal.

 

Charlie Chaplin era um perfeccionista em seus filmes e uma calamidade em sua vida privada. Essas duas características se chocaram enquanto ele fazia “O Circo”, um de seus filmes mais engraçados e certamente o mais problemático, um longa encantador que emergiu da turbulência.

 

O astro mais famoso de Hollywood, se casou com Lita Gray em 1924, que disse ter 16 anos, mas talvez tivesse 15. Ele soube que ela estava grávida enquanto produzia “O Circo” e depois que ela pediu o divórcio ameaçou fazer um escândalo, foi-lhe oferecido um grande acordo de US$ 600.000, enquanto o IRS determinava simultaneamente que ele devia US$ 1 milhão em impostos atrasados. Chaplin havia contratado a amiga de Lita, Merna Kennedy, como sua protagonista em “O Circo”; Lita os acusou de ter um caso, de fato ele teve um caso, mas foi a grande estrela Louise Brooks.

 

Calamidades também atingiram a produção do filme. A tenda do circo pegou fogo. Um rolo de filme acabou perdido. Seu perfeccionismo exigia 200 tomadas para uma cena difícil na corda bamba e a era do cinema falado estava chegando.

 

É interessante refletir sobre o quão inteligente o vagabundo realmente é, e o quanto ele entende as situações em que se encontra. Ele é uma espécie de tolo sagrado. Em “O Circo”, ele é contratado como palhaço por acidente, depois de se mostrar tão incompetente como proprietário que rouba o riso dos palhaços de verdade. Ele é a estrela do circo, mas precisa que isso lhe seja explicado por Merna, que interpreta a enteada maltratada do mestre de cerimônias. Ele não tem ideia do que o torna engraçado, nenhuma ideia clara de por que ele para de ser engraçado e geralmente parece o peão involuntário de eventos fora de sua compreensão.

 

“O Circo” é rico em piadas visuais. Ele abre com um cenário de batedor de carteiras complexo, continua com uma famosa perseguição pelos arredores do circo. Também há partes que mostram o timing perfeito de Chaplin, como quando ele causa estragos com os elaborados truques do mágico, cenas essas que trazem muita diversão.

 

O CGI não existia naquela época, o longa inclui uma cena de casa de espelhos na qual vários vagabundos, policiais e estranhos perseguem os reflexos uns dos outros, uma cena filmada com muita perfeição. Em outra cena o vagabundo se mostra preso em uma gaiola de leão real.

 

Os ângulos da câmera são muito bem usados nesta obra, nas cenas da sala de espelho, como para disfarçar a distância do solo, enquanto o vagabundo tenta se equilibrar em corda bamba. O filme é uma lembrança de uma época em que Chaplin e outras grandes estrelas (Fairbanks, Keaton, Lloyd) faziam suas próprias acrobacias e podiam ser vistos fazendo-as.

 

Chaplin era um artistas que dependiam do silêncio e o som era impotente para acrescentar alguma coisa. Devemos estar dispostos a visitá-lo. A incapacidade de admirar filmes mudos, assim como não gostar de preto e branco, é uma triste inadequação. Aqueles que rejeitam tais prazeres devem ter uma imaginação deficiente.

 

Nota: 9



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