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  • Vinicius Monteiro

O Barco Crítica

O Barco Crítica

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

 

Sinopse: Uma mulher de uma comunidade de pescadores no Ceará tem 26 filhos, o nome de cada filho corresponde a uma letra do alfabeto. Ela consegue decifrar o futuro a partir deles e prevê a chegada de um misterioso barco e de uma mulher pelas águas. O destino dessa comunidade será alterado por esses acontecimentos.

 

Crítica: O diretor Petrus Carity também é responsável pelo roteiro junto com Rosemberg Cariry e Firmino Holanda. Baseado no conto de Carlos Emílio Corrêa Lima, o diretor comanda esta história de forma minuciosa. Petrus também é o fotógrafo do filme, cada composição é feita pensada para causar uma impressão no telespectador. As cores ampliam o tom claustrofóbico através da saturação.

 

O som é tratado de forma seca, mas presente como uma linguagem fundamental para os personagens; o contato com os tecidos, o desejo por ir além das ondas, o tilintar dos pratos à mesa de madeira, tudo amplia o tom claustrofóbico do filme. A trilha sonora só ajuda a compor esse incômodo constante.

 

Apesar de seu fundo dramático, o filme traz uma atmosfera de suspense. A história é quase que uma fábula, mas o diretor Petrus Cariry oferece uma estética bem naturalista para o filme, gerando um efeito bastante interessante. A praia é cuidadosamente enquadrada pela fotografia gerando belas imagens, enquanto nossos personagens anunciam profecias, assistem show erótico, presenciam ou imaginam a existência de barcos, o filme traz um ar fantasioso.

 

A narrativa de 'O Barco' está inteiramente baseada em coisas que partem nas águas, ou chegam nela. O mar é explorado pela dualidade vida e morte: é ele quem fornece o alimento à família, mas é ele quem tira a voz do pai. É o mar quem traz a encantadora forasteira, mas também é ele que impede a fuga do filho mais velho. A natureza, neste caso, representa a liberdade e a prisão.

 

Muitos personagens não interagem uns com os outros, existindo em núcleos isolados. A mãe Esmerina sabe da existência de Ana? Outras pessoas, além dos membros da família principal, interagem com o cego? A narrativa foge da coletividade, evitando representar os espaços para além do mar, isso pode deixar o telespectador longe do filme.

 

'O Barco' sugere caminhos narrativos que ele mesmo não pretende seguir. Qualquer forma de linearidade é interrompida, as reviravoltas nunca vêm. O espectador é convidado a transitar por um universo divino, deixando aquela sensação de que tudo talvez não passe de um sonho ou talvez não exista uma moral da história. Isso quebra um pouco a importância do filme.

 

O filme tem um tom misterioso e há uma constante ameaça de perigo, trazendo uma experiência bastante imersiva. Eu me senti sufocado com a falta de perspectiva dos personagens. Apesar dos pequenos erros, 'O Barco' precisa ser visto, ele é bem feito e bonito.

 

Nota: 7



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