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  • Vinicius Monteiro

Nascimento de Uma Nação (1915) Crítica

Nascimento de Uma Nação (1915) Crítica

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

 

Sinopse: Dois irmãos da família Stoneman visitam os Cameron em Piedmont, Carolina do Sul. Esta amizade é afetada com a Guerra Civil, pois os Cameron se alistam no exército Confederado enquanto os Stoneman se unem às forças da União. São retratadas as consequências da guerra na vida destas duas famílias e as conexões com os principiais acontecimentos históricos, como o crescimento da Guerra da Secessão, o assassinato de Lincoln e o nascimento da Ku Klux Klan.

 

Crítica: “O Nascimento de uma Nação” é o filme que faz você exercitar a diferença entre o que trazemos para o filme e o que o filme traz para nós. O longa-metragem está muito longe de ser ruim, mas ele defende o mal, e podemos aprender e conhecer muito sobre o mal com esse filme. 

 

Se você quiser conhecer sobre o cinema, comece por “O Nascimento de uma Nação”. Artístico, técnico, culturalmente difamado e profundamente perturbador, essa obra trata sobre a Guerra Civil do diretor D.W. Griffith é um dos primeiros épicos do mundo cinematográfico. O longa-metragem é um dos mais longos que existem até hoje com suas quase três horas de duração.

 

“O Nascimento de uma Nação” é uma síntese magistral das lições e avanços técnicos de toda uma era do cinema. Há técnicas cinematográficas sofisticadas, como corte transversal entre eventos simultâneos, movimentos fluidos de câmera, planos panorâmicos e um uso especializado de close-ups.

 

D.W. Griffith usa tomadas elevadas para fornecer uma visão de alto ângulo dos campos de batalha e cortes entre ações paralelas para tornar as batalhas compreensíveis. Muitos filmes mudos se moviam lentamente, como se tivessem medo do público não entender o que estava assistindo. O diretor avança ansiosamente e o impacto em seu público foi sem precedentes. A excelência técnica do filme é desculpa para suas inclinações racistas? Claro que não. 

 

Este épico mudo foi adaptado de um romance igualmente racista o 'The Clansman', de Thomas Dixon. Se D.W. Griffith tivesse concluído o filme no final da primeira parte com a descrição impressionante do assassinato de Lincoln, o racismo de “O Nascimento de uma Nação” seria uma mera nota de rodapé. Começando em 1860, o filme nos leva através da carnificina da guerra civil, uma era definida por furiosas "milícias negras" e esquemas para forjar um pesadelo "império negro" dos estados derrotados do sul.

 

É importante entender que, na época em que “O Nascimento de uma Nação” foi lançado, a Ku Klux Klan que conhecemos hoje, um grupo de ódio caipira do século 20, ainda não existia. A Ku Klux Klan original do filme, uma sociedade secreta de supremacia branca, era um grupo separado que estava extinto há décadas.

 

Não é de admirar que a Ku Klux Klan tenha usado “O Nascimento de uma Nação” como uma ferramenta de recrutamento até a década de 1970. Sem querer ou talvez querendo, o longa-metragem inspirou uma segunda Ku Klux Klan muito mais odiosa que a original (até o próprio Thomas Dixon, o autor de "The Clansman", foi contra o novo formato da Ku Klux Klan).

 

Esse longa-metragem é racista, sua ideologia é rígida e foi controversa mesmo em sua época. Ao longo do filme, D.W. Griffith alterna entre figurantes afro-americanos e artistas brancos fazendo Black face. Os escravos libertos são descritos como estúpidos, naturalmente estupradores de mulheres brancas e desobedientes. Resumindo, os negros eram selvagens revoltados. Enquanto o grupo Ku Klux Klan é sempre mostrado cavalgando como heróis rumo ao resgate.

 

Como a escravidão é o grande pecado da América, “O Nascimento de uma Nação” é o pecado de D.W. Griffith. O próximo filme lançado pelo diretor foi "Intolerância", uma tentativa de desculpas. Ele também editou e fez uma nova versão de “O Nascimento de uma Nação”, onde cortou toda a cena de Ku Klux Klan, também como um gesto de desculpas. Aparentemente, as desculpas ainda não foram aceitas, o racismo e o mal gosto da obra é impossível de engolir. Devemos sumir com esse filme da face da Terra? Não.

 

Assistir “O Nascimento de uma Nação” hoje, reforça na mente de qualquer um a necessidade de ser antirracista. O longa-metragem nos mostra uma das faces do mal, que é bem difícil de encarar, porque dói. Apesar do filme de ter sido usado pela Ku Klux Klan para educar os seus discípulos, de ser decididamente racista e conter uma visão idiota dos fatos, “O Nascimento de uma Nação” só escancara o rosto dos verdadeiros vilões, assistam! Nascimento de Uma Nação (1915) Crítica

 

Nota: 9



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