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  • Vinicius Monteiro

Esaú e Jacó Resenha

Atualizado: 24 de abr.

Esaú e Jacó Resenha

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

Sinopse: Esaú e Jacó conta a história de dois gêmeos da alta burguesia carioca separados pela inimizade e pelas diferenças: Pedro, dissimulado e cauteloso, e Paulo, arrojado e impetuoso. Ambos, porém, apaixonados pela mesma mulher, Flora. Às vésperas da Proclamação da República, o autor, por meio dos embates e das desventuras dos irmãos (um monarquista, o outro, republicano), pinta um retrato melancólico, mas por vezes também hilariante, da política e da alma brasileira.

Resenha: 'Esaú e Jacó' é um livro para ser digerido aos poucos. Há muitas mensagens e contexto além do romance e é necessário estarmos contextualizados com os acontecimentos da época em que a obra foi escrita. Entender todo esse cenário enriquece ainda mais esse romance. Machado de Assis sempre traz questões sociais em suas obras, de uma maneira bem desenvolvida e sempre com ironia.

Penúltimo livro lançado por Machado de Assis, 'Esaú e Jacó' foi publicado quatro anos antes de sua morte. O título do livro faz referência aos personagens bíblicos Esaú e Jacó, filhos de Isaque e Rebeca, que já eram inimigos desde o ventre de sua mãe. Você pode conferir esse história na Bíblia a partir de Gênesis 25

Machado de Assis considerava-se apenas um editor do romance, cujo verdadeiro autor e narrador seria o também personagem Conselheiro Aires. Aires nos narra, em uma espécie de memorial, a vida de uma família burguesa da qual era amigo e conselheiro. Uma das fortes características de Machado de Assis são os seus diálogos fantásticos entre narrador e leitor. Há capítulos dedicados apenas aos leitores, em que o narrador tece comentários acerca de nossas prováveis impressões.

Logo nos primeiros capítulos, a obra vai tratar de forma sutil conflitos entre fé, ciência e religião. Pode-se inferir que, entre os espaços de crença se coloque o espiritismo, na figura de Plácido, como tentativa de estabelecer a união entre fé e ciência, o que pelo vazio de suas colocações, não se alcança.

'Esaú e Jacó' destaca-se pela narrativa cautelosa e segura, misturando muito bem o tom irônico e despretensioso de uma visão do ser humano. Neste romance, Machado de Assis examina as transformações políticas e sociais de um Brasil na véspera da proclamação da república.

Publicado em 1904, o livro foi escrito em uma época de transição na política brasileira, o país deixa de ser uma monarquia para ser uma república. ‘Esaú e Jacó' vai fundo na crítica à conformação política do país, denunciando o jogo de interesses que antecederam a proclamação da república no Brasil, as análises e contexto político são sólidos e densos na trama.

Os personagens gêmeos desta obra, talvez seja a grande crítica que Machado de Assis faz em sua obra. Não importa se é Império ou República, a questão não é o modelo, mas a essência. A aparência dos gêmeos é idêntica, o autor percebeu que a mudança de regime foi de um gêmeo de seu irmão.

Flora apaixona-se pelos gêmeos Pedro e Paulo. Indecisa, acaba ficando perturbada mentalmente e morrendo. Pode ser entendida como a metonímia do Brasil, sem esperança entre os jogos de interesse políticos. A personagem se apresenta no romance como um modelo feminino que ultrapassa as barreiras comportamentais e sociais vigentes na sociedade, mostrando-se contrária à ideia de casamento e submissão. Podemos enxergá-la como uma personagem complexa, arquitetada por um discurso contra ideológico, tendo em vista que no século XIX a situação da mulher era de subserviência ao pai e, depois do casamento, ao marido.

Durante anos, esse romance foi considerado de menor importância e ainda é uma das obras menos comentadas do autor, 'Esaú e Jacó' é reconhecido como um dos textos esteticamente mais elaborados e o mais difícil de ser compreendido da obra machadiana, graças a singularidades e sutilezas. Essa é uma obra polifônica, cercada de conceitos intertextuais, 'Esaú e Jacó' retrata passagens importantes de nossa história e as transformações políticas que ocorreram no Brasil e Machado de Assis finaliza essa obra de forma espetacular.


Nota: 10


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