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  • Vinicius Monteiro

Dois Papas Crítica

Atualizado: 10 de mai.

Dois Papas Crítica

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

Sinopse: Buenos Aires, 2012. O cardeal argentino Jorge Bergoglio está decidido a pedir sua aposentadoria, devido a divergências sobre a forma como o papa Bento XVI tem conduzido a Igreja. Com a passagem já comprada para Roma, ele é surpreendido com o convite do próprio papa para visitá-lo. Ao chegar, eles iniciam uma longa conversa onde debatem não só os rumos do catolicismo, mas também afeições e peculiaridades da personalidade de cada um.

Crítica: Dado que o filme e seu título são inspirados por eventos reais, não seria um spoiler revelar aonde esse caminho está levando. Mas há tanta arte nas maneiras inesperadas que a jornada é traçada, que os espectadores devem experimentá-las em primeira mão.

Meirelles e seu excelente diretor de fotografia de longa data, César Charlone, abraçam a graça do ritual com uma paixão quase vertiginosa. As roupas papais vividamente filmadas ajudam a definir a natureza dos homens, sendo que uma exige pompa e a outra a evita. Tradições simples assumem um significado que muda o mundo, como quando a eleição de um novo papa é transmitida através de uma nuvem de fumaça. Estruturas artificiais refletem com credibilidade o divino, de um piso de azulejo feito à mão a um teto pintado de maneira celeste.

Meirelles cria a narrativa através do incrível design de produção de Mark Tildesley. Quando o Colégio dos Cardeais se encontra na Capela Sistina, os atores não estão na estrutura histórica. Em vez disso, a equipe passou sete semanas construindo uma versão no set. Nessas cenas das eleições, o diretor emprega um estilo de documentário observacional com sua câmera: com zoom lento e reorientação proposital. Durante essas cenas, as piadas chegam de novo - uma abordagem semelhante a um comerciante, contando com a ironia mundana que compõe muitas das conversas entre esses padres.

Entre as muitas surpresas está o quão levemente Meirelles caminha sobre este solo sagrado. Há muito humor gentil quando vemos dois papas comendo pizza e alguns toques fantasiosos quando o vemos dançando ABBA!.

'Dois Papas' retrata um momento, eu posso dizer que histórico. A relação entre os dois papas parece um romance. Um romance entre casais ímpares, cerca de dois homens em "disputa" para ser o papa católico, atinge o auge quando apenas deixam Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, dialogar como se estivessem em uma partida de tênis.

Um roteiro inteligente de Anthony McCarten equilibra disputas litúrgicas com momentos mais leves. Uma cena inicial mostra Bergoglio diante de uma partida de futebol com uma taça de vinho, enquanto o papa se enclausura com uma garrafa de sua amada Fanta; o brilhante teólogo reformador e o conservador são divididos por cerca de 30 metros e um abismo.

Quer ver uma aula de mestre em atuação? Assista Jonathan Pryce e Anthony Hopkins mostram como é feito em 'Dois Papas', uma provocação ferozmente emocionante e surpreendentemente engraçada que gira em conversas especulativas entre o alemão John Ratzinger, também conhecido como Papa Bento XVI (Hopkins), e o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio (Pryce). No belo roteiro de Anthony McCarten, os dois homens lutam para encontrar um vínculo unificador.


O rigor e a inteligência do roteiro de McCarten mostram como os escândalos entre padres problemáticos e a intriga política desafiam a fé desses dois papas. Mas é realmente a falibilidade humana deles que nos atrai a eles. Através de suas performances milagrosas, Pryce e Hopkins mostram que a construção de muros é o verdadeiro pecado imperdoável. De fato, o slogan deste filme poderia ser facilmente: "Papas, eles são como nós".

Nota: 8




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