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  • Vinicius Monteiro

Crítica: O Retrato de Dorian Gray (1945)


O Retrato de Dorian Gray Crítica

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

Dorian Gray (Hurd Hartfield) é um jovem ingênuo, que é apresentado ao mundo hedonista de Londres pelo lorde Henry Wotton (George Sanders). Um dia Basil Hallward (Lowell Gilmore), um amigo que é artista, resolve fazer uma pintura para retratar a beleza jovial de Dorian. Ele gosta tanto do retrato que declara que, se pudesse, daria até mesmo a alma para permanecer com aquele visual para sempre. A partir de então todos os pecados e a idade de Dorian são transferidos para o retrato, que fica cada vez mais horrível. Em compensação, Dorian permanece sempre com o visual jovem e belo.

'O Retrato de Dorian Gray', foi um fracasso de bilheteria na época em que foi lançado. A história pela qual se baseia escrita por Oscar Wilde, foi extremamente popular de início, mas a performance sem carisma de Hurd Hatfield, deixou o público distante do longa-metragem, mesmo com as suas indicações ao Oscar (Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Atriz).

O filme passa boa parte do tempo falando sobre as coisas sem realmente mostrá-las. Os diálogos são cheios de metáforas e de muita ressonância poética. Em termos de atmosfera, o filme é uma delícia com sua cinematografia nítida em preto e branco, enquanto a câmera vagueia por ruas de paralelepípedos envoltas em neblina e se esgueira por mansões ostensivas de classe alta. O longa-metragem ganhou merecidamente a indicação ao Oscar.

'O Retrato de Dorian Gray' é estiloso com seus cenários. O design de produção, em particular à luxuosa casa londrina de Dorian, é requintado, expansivo e magnífico. Enquanto as ruas úmidas dos bairros mais pobres de Londres são áreas sombrias e destituídas, áreas da cidade perfeitamente assustadoras para praticar atos malignos.

A fotografia de Harry Stradling, que trabalhou com Hitchcock apenas alguns anos antes, encontra um medo arrepiante por trás de cada luz bruxuleante e de cada abajur balançando. O uso da música por Herbert Stothard no filme é indicativo do período, cheio de cordas, metais e utilizando material temático de Chopin e Beethoven misturado com melodias originais.

Hurd Hatfield dá vida a um estranho Dorian Gray. O ator consegue reforçar a arrogância da alta classe, mas a sua falta de expressão facial entra em desacordo com seu amor pelo luxo, e não passa, para quem assiste, a turbulência interior do personagem que é muito importante para reforçar a trama do filme. O personagem Dorian aqui é mais assustador, se comportando como muitos dos monstros clássicos do cinema daquela época.

No final do filme há uma cena em que o filme muda de monocromático para tecnicolor, para realçar uma certa revelação do retrato de Dorian que eu achei muito legal, mas há quem acha a escolha brega. 'O Retrato de Dorian Gray' é fiel se tratando de uma adaptação. Tem seus problemas de ritmo, mas a trilha sonora é absolutamente notável e a cinematografia é surpreendente.

Nota 7


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