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  • Vinicius Monteiro

4x100 Correndo Por Um Sonho Crítica

4x100 Correndo Por Um Sonho Crítica

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

 

Sinopse: Uma derrota na final Olímpica do revezamento 4×100 marca a vida das atletas e, três anos depois, a responsável pela eliminação, Maria Lúcia, continua sendo o foco no atletismo e na mídia. Já Adriana, que trabalhou duro na competição, tornou-se uma atleta frustrada de lutas de MMA. Em 2020, elas se encontram e possuem uma nova chance de reescrever a história nas Olimpíadas de Tóquio.

 

Crítica: Filmes sobre esportes é muito comum no território norte-americano, é uma pena que aqui em nosso país o gênero seja tão escasso e pouco explorado, mas '14×100: Correndo por um Sonho' pode fazer a indústria repensar sobre o assunto.

 

A narrativa apresenta uma equipe feminina, que carrega a responsabilidade do ouro olímpico, mas que também traz uma narrativa do que é ser mulher no esporte e na sociedade. O roteiro bem construído de LG Bayão, Carlos Cortez e Caroline Fioratti, amplifica a potência de três atos muito bem definidos e traz os assuntos e as críticas de uma maneira muito bem explorada e aprofundada.

 

O público mais atento perceberá a crítica ao racismo estrutural no Brasil e no esporte, no momento que vemos o mercado publicitário privilegiando Maria Lúcia pelo seu padrão estético, mesmo ela sendo a responsável pela perda do jogos olímpicos do ano anterior, Adriana não teve a mesma "sorte" que sua companheira.

 

A direção de Tomás Portella é excepcional ao dar voz às personagens, os diálogos são o grande responsável em fazer a narrativa correr de uma maneira muito natural, mas às vezes soam didáticos demais, as atrizes permitem que tudo pareça orgânico, parece que eu estava acompanhando uma cinebiografia. O diretor mescla arte cinema com elementos comerciais da indústria cinematográfica, fugindo bastante do padrão televisivo, que é o certo a fazer.

 

A fotografia de Pedro Márquez é repleta de detalhes, com cores frias e aposta em cenas imersivas, sufocantes, contemplativas, que representam tanto o luto pela derrota quanto o júbilo pela vitória. '14×100: Correndo por um Sonho' trazia a sensação de realmente estar assistindo a uma competição.

 

Thalita Carauta é muito conhecida pelo seu trabalho em Zorra Total, sua atuação como Adriana é excelente, profunda e verossímil. Sua dinâmica com a também talentosa Fernanda de Freitas é o que concede emoção à trama. Roberta Alonso, Jaciara e Priscila Steinman completam o elenco de forma contida, mas eficaz. Augusto Madeira traz um tom de leveza ao trazer um de alívio cômico com o seu personagem.

 

'14×100: Correndo por um Sonho' deixa algumas pontas soltas. Maria Lúcia nutre uma atração por Adriana, mas isso não é profundamente explorado. Apesar de não prejudicar o resultado final, o filme precisa utilizar de muitos efeitos especiais nas cenas do mundial, a computação gráfica fica visualmente estranha e óbvia, mas é necessário evidenciar o excelente trabalho sob a supervisão de Felipe Rio Branco, pois os efeitos eram necessários.

 

O filme coloca sob os holofotes a representatividade feminina no esporte. '14×100: Correndo por um Sonho' é uma excelente experiência cinematográfica para o cinema nacional dentro da temática esportiva que pouco é explorada. O resultado é uma obra atual, necessária e divertida, que entretém, informa e emociona.

 

Nota: 7



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