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  • Vinicius Monteiro

O que é ser Másculo? "Clube da Luta" Análise

Atualizado: 10 de mar.

O que é ser Másculo? Clube da Luta Análise

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

A obra foi escrita em 1996 pelo autor Chuck Palahniuk, que critica os comportamentos sociais de sua época em seu ambiente nacional a respeito da masculinidade. É muito importante você saber o tempo que esse livro foi escrito, pois isso ajuda a entender melhor as ideias e conceitos das entrelinhas do autor. O contexto histórico social era de homens trabalhando e crianças sendo criados por mulheres.

'Clube da Luta' sugere que a sociedade moderna emascula os homens, isso quer dizer que o homem perde suas características de virilidade. Com isso o homem passa a ser forçado a viver vidas consumistas centradas em compras, roupas e beleza física. Nos anos noventa começou uma alta valorização da sociedade americana nessas coisas.

Esse gesto social pode estar vinculado a uma espécie de repreensão aos aspectos dos homens que os fazem homens. Em suma, o romance retrata os homens como sendo tão castrados que esqueceram o que significa ser um “homem de verdade”.

'Clube da luta' narra a história de um jovem funcionário que descobre que sua frustração e ira não podem ser acalmados com o consumo desenfreado que a mídia oferece. Ele encontra alívio e redenção apó￳s horas de luta em pequenos clubes escondidos nos por￵ões de bares da cidade. O clube da luta é idealizado por Tyler Durden, que acredita ter encontrado uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido.

O clube da luta que os personagens criam, surge como uma reação a essa "castração", com o objetivo de permitir que os homens redescubram sua masculinidade crua. Mas afinal o que seria a tal da masculinidade?

Para o personagem Tyler Durden a masculinidade é um estado físico: uma consciência do próprio corpo e uma vontade de usar o pr￳óprio corpo para satisfazer necessidades profundas e agressivas. Como tal, os clubes de luta oferecem aos homens uma sensação emocionante de vida que o resto de sua existência carece muito.

O sociólogo da State University of New York, Dr. Michael Kimmel, afirma que a masculinidade foi discutida no livro com base em quatro pontos principais. Assim como na obra de Chuck Palahniuk, o Dr. Michael Kimmel deu regras à masculinidade. A primeira regra é que os homens não podem fazer “coisas maricas” ou as coisas dramáticas e floridas normalmente relacionadas às mulheres.

A segunda regra é ser grande. Temos o hábito de medir a masculinidade pelo tamanho do salário, riqueza, poder ou status, coisas assim, sim homens têm o costume natural de fazer essas coisas. A terceira regra, diz Kimmel, é ser um “carvalho robusto”. Essa regra significa que, como homem, você nunca deve demonstrar emoção.

A quarta e última regra é fundamental para encontrar relação com a obra: Dá-lhes o inferno. Vá sempre em frente, exala uma aura de ousadia e agressividade em tudo o que você faz. A quarta regra é parte do que mantém o clube de luta funcionando e evoluindo para o Project Mayhem. Essas quatro regras orientam como a masculinidade é definida e podem ajudar a mostrar como Pahlaniuk usa esse tema no livro.

À medida que o romance avança para sua conclusão, seu retrato da masculinidade se torna mais complicado. Em última análise, o romance sugere que a masculinidade crua e descontrolada pode ser tão ou mais prejudicial do que uma sociedade consumista e emasculada. E afinal, é possível padronizar a masculinidade?

Chuck Palahniuk começa o capítulo dois com o narrador em um grupo de apoio para sobreviventes de câncer testicular. O personagem Big Bob está chorando enquanto o narrador é esmagado contra seus vantajosos peitos. Bob já havia sido um fisiculturista empolgado e usuário de esteróides. Ele atualmente tinha mamas porque estava em terapia hormonal que estava fazendo com que seus níveis de estrogênio fossem muito além dos níveis normais. Os homens neste grupo de apoio em particular estão todos sentindo falta de sua “masculinidade”.

Ao mesmo tempo que a obra definia uma certa regra do que é ser masculino, ela ao mesmo tempo ironiza a sua própria ideia através desse grupo de apoio, onde homens não têm testículos devido ao câncer ou tem "seios" devido ao uso excessivo de substâncias. Neste trecho do livro é possível afirmar que a masculinidade não pode ser definida por regras ou padrões e muito menos pela quantidade de coisas que você possui.

A personagem Marla Singer tem uma construção muito explícita sobre essa dualidade de ideias do livro. Os homens que se juntam ao clube da luta acreditam que os valores e comportamentos tradicionalmente efeminados os estão destruindo, a única personagem feminina do livro é Marla Singer, alguns críticos afirmam que isso reforça atitudes implícitas e às vezes explicitamente misóginas dos personagens.

Porém no final do livro o Narrador pede ajuda a Marla enquanto luta contra Tyler e o Projeto Mayhem. Através do romance entre o Narrador e Marla, o autor Palahniuk esteja tentando sugerir que a resposta para os problemas da sociedade não é ser hiper masculino, mas abraçar alguns valores que são estereotípicamente masculinos (como força) e alguns que são mais estereotípicamente femininos (como compaixão), valores que de fato não são masculinos ou femininos, mas simplesmente humanos.

Em 'Clube da Luta', Chuck Palahniuk discute muitas quest￵ões na sociedade, mas particularmente entre elas o papel do homem é discutido e centrado. O clube da luta destina-se a levar os homens ao seu estado mais bestial e natural, um estado no qual eles deveriam estar para cumprir sua ideia de masculinidade. O livro mostra que é preciso se despir de padr￵ões para descobrir sua masculinidade ou até mesmo sua sexualidade.

Assim como o personagem Narrador, nascemos já com regras a serem cumpridas e padr￵ões a serem alcançados, e a pressão da sociedade para que nos encaixamos em algo nos atrasa em descobrir quem somos e como podemos ser. Não há padrão para ser masculino ou deixar de ser masculino, se empenhe em buscar o autoconhecimento, e partir daí você conseguirá definir para si e depois para os outros.


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