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  • Vinicius Monteiro

Assassinos da Lua das Flores Resenha

Atualizado: 17 de abr.

Assassinos da Lua das Flores Resenha

Esse texto pode conter possíveis SPOILERS.

 

Sinopse: Nos Estados Unidos dos anos 1920, as pessoas com maior renda per capita do mundo eram membros do povo indígena Osage, de Oklahoma. Até que, um a um, os Osage começaram a ser mortos. As primeiras vítimas são a família de Mollie Burkhart. E isso era apenas o começo, pois logo mais e mais homicídios contra nativos americanos aconteceriam, sempre em condições misteriosas.

 

Resenha: David Grann entrega um relato meticulosamente pesquisado de uma terrível conspiração generalizada contra a nação indígena Osage em Oklahoma. O autor centra a história do livro em uma família Osage, que teve seus membros familiares mortos covardemente de causas que vão desde as estranhas e ambíguas até às obviamente violentas.

 

Os Osage apareceram muito nos noticiários na época. Na década de 1870, eles foram expulsos de terras ancestrais para uma reserva em Oklahoma considerada imprópria para cultivo ou qualquer outra coisa. Décadas mais tarde, os Osage descobriram que a reserva ficava no topo de alguns dos maiores depósitos de petróleo dos EUA, um acaso que, na década de 1920, teria rendido mais dinheiro do petróleo do que o valor combinado de todas as corridas do ouro do Velho Oeste. Os Osage estampavam os noticiários como sendo as pessoas mais ricas dos EUA. 

 

A ganância bateu na porta do primeiro povo norte americano. É aqui que a terrível história do pecado original dos EUA, a opressão sistemática e o assassinato do seu primeiro povo, se torna sombria. Pois se os brancos esperassem herdar os direitos de terra, eles teriam que se casar com alguém da tribo e depois desejar que seu cônjuge rico morresse. Ou fazer com que morram, muitas vezes depois de terem vivido durante anos com o marido ou a esposa Osage. Os Osage começaram a morrer envenenados, assassinados cruelmente, mortos misteriosamente e suas casas foram explodidas do nada. Os noticiários da época começaram a pingar sangue, o extermínio ao primeiro povo norte americano estava descontrolado.

 

Quando um petroleiro branco, Barney McBride, foi recrutado por Osage para pedir às autoridades federais que investigassem essas mortes, ele também foi morto: esfaqueado e espancado, depois despido. Em 1925, nenhum dos assassinatos havia sido resolvido e o número de mortos estava subindo o suficiente para que o resto da América começasse a prestar atenção. Jornais nacionais relataram o que foi chamado de “Reinado do Terror”, a “Maldição Negra” dos Osage.

 

“Assassinos da Lua das Flores” traz um recorte da história estadunidense muito importante, mas extremamente forte. Ao ler o livro, eu fiquei chocado com a falta de limite que a ganância e o quanto a nação Osage foi usurpada com tudo isso. O livro entrega uma leitura quase que o thriller policial, em vários momentos eu esqueci que o livro era sobre uma história real. Toda a trama da investigação se mistura com a história da família Osage de Mollie Burkhart. A leitura do livro foi magnética, eu não conseguia parar de ler.

 

O livro soa como o enredo de um romance policial, graças ao brilhantismo de David Grann. O autor soube entregar um mistério real cheio de camadas. Como repórter, ele é obstinado e exigente, com uma capacidade singular de descobrir e incorporar diários, depoimentos e livros obscuros, sem nunca deixar a trama afundar. Como escritor, ele é generoso de espírito, disposto a dar até mesmo aos personagens mais obscuros o benefício da dúvida.

 

David Grann ilumina um capítulo esquecido da história americana, e com a ajuda de membros contemporâneos da tribo Osage, traz na páginas de seu livro uma conspiração doentia que vai muito mais fundo do que aqueles quatro anos de horror. 

 

“Assassinos da Lua das Flores” é uma assustadora história real de ganância e racismo no desenvolvimento do oeste americano. Aqui tem uma daquelas verdades difíceis de ler e aceitar. É difícil explicar a profundidade dessa leitura, senti muita raiva e incrível injustiça. Se você gosta de conhecer sobre a história ou crime real, o livro vale a pena.

 

Nota: 10


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