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  • Vinicius Monteiro

A proibição de livros no BBB reforça a relação doente que o brasileiro tem com os livros

BBB

Em 2020, a posse de livros foi banida de vez do BBB. A Rede Globo não é contra a literatura, o motivo da proibição dos livros dentro da casa e para que os participantes tenham mais interação. A leitura era uma válvula de escape aos participantes, mas isso obstruía a interação entre os confinados, prejudicando a audiência do programa.


Marcelo Zagonel, participante do BBB 14, contou que em sua edição a produção deu aos participantes alguns "mimos". "Nós podíamos levar algumas fotos, apenas, e um livro, se não me engano, que no meio do programa, foi confiscado para ao invés de ler, interagir", afirmou o participante.


No BBB 19, Ana Clara, lia por horas, o que diminuía a interação com os colegas. Segundo a própria Ana Clara, a proibição dos livros na casa começou após ela ter lido sete obras quando estava confinada, um dos livros ela teria lido cinco vezes. Não à toa, o BBB 19 foi uma das piores temporadas do programa em termos de audiência.


O BBB é um programa de forte influência. Muitos temas são debatidos na grande mídia por causa do programa e com os livros não são diferentes. Wanessa Camargo e Vanessa Lopes, participantes da edição 24, citaram os livros "Sociedade do Espetáculo" e "1984", e os dois livros foram amplamente pesquisados na internet, inclusive aumentando às vendas.


A participante Ana Clara, talvez a maior participante leitora de todas as temporadas, teve muito destaque em sua edição, e fora do programa também. Ana Clara virou apresentadora do próprio Big Brother, seu destaque intelectual dentro do programa foi tão forte e importante, a ponto de ser contratada pela Globo.


O Brasil não tem um incentivo apropriado quando se trata de literatura, e os livros ainda são vistos como algo chato e sem graça. Com o alcance e a influência do programa, a literatura ajuda a crescer, ainda mais agora que muitos dos participantes são famosos, isso só se amplia.


A decisão de proibir os livros deixa um gosto amargo na comunidade literária. O programa promove sessões de cinema com filmes e séries brasileiros, traz artistas musicais do momento, mas não pode dar espaço para a arte literária?


A proibição reforça o forte preconceito de que ler é desnecessário, e ainda escâncara a relação doente que os brasileiros constroem com a leitura. Como assim a leitura atrapalha a interação? Por que não conseguimos conversar sobre o que estamos lendo? Por que não fofocamos sobre livros? Por que os livros não são assuntos nas rodas de bate-papo?


Quando um participante passa horas lendo, como a Ana Clara, isso potencializa o poder que livros têm de também ser um ótimo entretenimento. Quando os participantes conversam em uma roda sobre livros que já leram, isso mostra e reforça que falar de livros também pode ser legal. Os livros comentados são pesquisados e comprados. Por isso, o programa é tão importante para a arte literária.


É óbvio que a Rede Globo não se preocupa com nada disso, a ponto de proibir os livros dentro da casa mais vigiada do Brasil. Mas tudo bem, os participante precisam brigar... Quer dizer, interagir, a audiência não pode cair, não é mesmo?! Agora, proibir os livros, mas colocar um papel de parede de biblioteca na casa, foi muita sacanagem. Aí não né Rede Globo!


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